Eles partem, mas há sempre algo que perdura...
Eles partem, mas há sempre algo que perdura e a ligação entre professores e alunos é um bom exemplo disso. Por isso, o Diogo Alves, agora aluno na FEUP, continua a enviar textos de sua autoria à professora Maria José Costa, textos que a Biblioteca António Nobre publica no seu blogue com imenso prazer, acompanhando o voo da escrita deste jovem.
O poema que hoje partilhamos foi inspirado pela guerra no Golfo.
Obrigada, Diogo, pela partilha!
Não vês a sombra da chuva,
É rara a gota que a tem.
Parece temer quem a louva
E cai onde a nota ninguém.
Prefere os rios sem foz
Que se entrelaçam como lhes convém
Entretanto, seca-se a voz
Das terras moribundas d'além.
Não vês a sombra da lágrima
Que já não pertence a um só:
Nos cantos da boca se firma
E caindo é parte do pó.
Foi um filho para a guerra
Com os olhos a lacrimejar,
Para uma longínqua terra
Onde fará mais mães chorar.
A sombra da água que se agrega
Chegará em ondulações barulhentas,
Em camadas geladas de vingança cega,
Num turbilhão de ações violentas.
Doces são os rios que roubas e o sangue que espalhas.
Salgados são os mares que destróis e altas as tuas muralhas.
Verdes são as florestas que matas e o dinheiro que ganhas
Por nos extorquir, violar, escravizar, viciar nas tuas manhas.
Da nossa água bebes, a nossa sombra ignoras,
Ao mundo passas a tua febre e pela cura nos cobras.
Não importa se pedes perdão, não somos Deus para to dar,
É tarde, a água subiu-te ao pescoço... Vamos-te afogar.
Diogo Alves






















