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O blogue da Biblioteca António Nobre, Biblioteca Escolar da Escola Secundária da Boa Nova – Leça da Palmeira, é um instrumento de atuação que deseja responder às necessidades de uma sociedade cada vez mais digital como aquela em que hoje vivemos e, simultaneamente, ajudar a minorar os constrangimentos provocados pela impossibilidade de se prestar um serviço presencial permanente.

09 março 2026

Eles partem, mas há sempre algo que perdura...

15:02 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Eles partem, mas há sempre algo que perdura...


        Eles partem, mas há sempre algo que perdura e a ligação entre professores e alunos é um bom exemplo disso. Por isso, o Diogo Alves, agora aluno na FEUP, continua a enviar textos de sua autoria à professora Maria José Costa, textos que a Biblioteca António Nobre publica no seu blogue com imenso prazer, acompanhando o voo da escrita deste jovem.

        O poema que hoje partilhamos foi inspirado pela guerra no Golfo.

        Obrigada, Diogo, pela partilha!


Não vês a sombra da chuva,

É rara a gota que a tem.

Parece temer quem a louva

E cai onde a nota ninguém.

Prefere os rios sem foz

Que se entrelaçam como lhes convém 

Entretanto, seca-se a voz

Das terras moribundas d'além.

Não vês a sombra da lágrima

Que já não pertence a um só:

Nos cantos da boca se firma

E caindo é parte do pó.

Foi um filho para a guerra

Com os olhos a lacrimejar,

Para uma longínqua terra

Onde fará mais mães chorar.

A sombra da água que se agrega

Chegará em ondulações barulhentas,

Em camadas geladas de vingança cega,

Num turbilhão de ações violentas.

Doces são os rios que roubas e o sangue que espalhas.

Salgados são os mares que destróis e altas as tuas muralhas.

Verdes são as florestas que matas e o dinheiro que ganhas

Por nos extorquir, violar, escravizar, viciar nas tuas manhas.

Da nossa água bebes, a nossa sombra ignoras,

Ao mundo passas a tua febre e pela cura nos cobras.

Não importa se pedes perdão, não somos Deus para to dar,

É tarde, a água subiu-te ao pescoço... Vamos-te afogar.


Diogo Alves






05 março 2026

António Lobo Antunes

13:30 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 António Lobo Antunes

(1942 - 2026)




        António Lobo Antunes, nome grande do panorama literário português, morreu hoje, aos 83 anos.

        Com uma obra incontornável e traduzida em diversas línguas, este escritor deixa uma marca na nova literatura portuguesa.

        Aqui fica um poema que apresenta uma vertente menos conhecida deste grande escritor.



Pachos na testa, terço na mão,

Uma botija, chá de limão,

Zaragatoas, vinho com mel,

Três aspirinas, creme na pele

Grito de medo, chamo a mulher.

Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,

Cala os miúdos, fecha a janela,

Não quero canja, nem a salada,

Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,

Já vejo a morte nunca te minto,

Já vejo o inferno, chamas, diabos,

Anjos estranhos, cornos e rabos,

Vejo demónios nas suas danças

Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo

Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é o pingo de uma torneira,

Põe-me a Santinha à cabeceira,

Compõe-me a colcha,

Fala ao prior,

Pousa o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, passa a chamada,

Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,

Não te levantes que fico só,

Aqui sozinho a apodrecer,

Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer


António Lobo Antunes - Sátira aos HOMENS quando estão com gripe

in Letrinhas de Cantigas (canções) 2002






Escritas no feminino

13:16 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Escritas no feminino



        Mais uma vez a Biblioteca António Nobre tem patente a exposição Escritas no feminino. Dados biográficos e bibliográficos de muitas das grandes escritoras da nossa língua e literatura, mas também livros dessas diferentes escritoras.

        Visite a nossa biblioteca!

        Requisite um desses livros e descubra uma outra voz...






Dia Internacional da Mulher

13:05 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Dia Internacional da Mulher




        O Dia Internacional da Mulher celebra-se a 8 de março há mais de cem anos e pretende celebrar as conquistas que, ao longo de mais de um século, foram sendo conquistadas social, económica, cultural e politicamente falando. Mas esta celebração pretende, igualmente, apelar à ação, no sentido de se estabelecer a igualdade das mulheres em todo o globo, uma vez que as disparidades entre homens e mulheres continuam.

        Neste ano de 2026, o tema oficial escolhido pela ONU é 2026: Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as Mulheres e Meninas.


Curiosidade

        Sabia que o roxo, o verde e o branco são as cores que simbolizam o Dia Internacional das Mulheres?

        O roxo significa a justiça e a dignidade. O verde simboliza a esperança. O branco representa a pureza, não deixando, contudo, de ser um conceito que gera, ainda, alguma controvérsia.

        Estas cores Têm origem na União Política e Social das Mulheres (WSPU) fundada em 1908, no Reino Unido.

04 março 2026

Os exames estão à porta...

12:43 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Os exames estão à porta...


        O período de exames aproxima-se e a Biblioteca António Nobre também se prepara!

        Para além dos diferentes livros, das diversas disciplinas, de preparação para os exames, chegaram, esta semana, os Cartões de Revisão que podem ajudar a rever as diversas matérias.

        Procure-os na BE!

02 março 2026

Também há jogos na Biblioteca!

09:55 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Também há  jogos na Biblioteca!



        Sem esquecer a importância da leitura, até porque ler, ler, ler... faz sempre bem, pode ocupar algum do seu tempo livre com os jogos que a Biblioteca António Nobre disponibiliza!

        Apareça e requisite um jogo do seu agrado!

        A Biblioteca espera por si!











23 fevereiro 2026

Assim nascem os escritores...

11:23 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Assim nascem os escritores...



        Como uma das prioridades das Bibliotecas é a promoção da leitura e da escrita, sabendo que são competências determinantes para o sucesso dos nossos alunos a nível pessoal, académico, cívico e profissional, a Biblioteca António Nobre incentiva atividades de escrit,a sempre que possível, dando voz aos alunos. 

        Aqui se pode ler um texto escrito pelo Nícolas Gaspar, aluno do 12.º D, depois de trabalhar, em aula, os heterónimos de Fernando Pessoa.



        Debruço-me sobre o parapeito da memória e… avisto uma pequena criança. Inocente, sorridente e absurdamente otimista. Ele foi avisado de que iria mudar de país ao chegar da escola. Portugal, terra lusitana e gloriosa claramente superior ao Brasil. Eu e o Brasil tínhamos muito em comum. Ambos subdesenvolvidos e cheios de problemas internos apesar de nos mostrarmos incrivelmente bem para quem olha de fora.

         “Vamos dar-vos novas oportunidades”, “viveremos o sonho de qualquer família” disseram os meus pais com um sorriso enganador no rosto. Foi-me arrancado tudo. Laços cortados com amigos, familiares e até desconhecidos. Todo o otimismo e inocência tiveram que, deliberadamente, acabar. “Farás novos amigos”, “Você é extrovertido, não vai ter problemas”. Que belo equívoco… O processo foi sofrido, exaustivo e frio. Sem nenhuma lareira reconfortante, apenas um caminho a seguir ou um futuro a perder.

Quanto mais relembro, mais debruçado fico. Prestes a cair. Melancolia por todo o meu corpo e alma, tenho febre e escrevo. Valeu a pena? Não… Todas as almas são pequenas. 

        Fui atirado, de repente, para outra memória. Ainda mais antiga, mais nostálgica e mais emotiva. Andava a cavalo, livre como os ventos dos altos das montanhas. Sentia-me conectado com tudo à minha volta. Sentia tudo, porém não me importava com nada. Deveria ter seguido tal sensação em relação à mudança? Devo sentir tudo, sentir a perda e os medos mas ainda assim, dizer que “tanto faz” e não olhar para trás?

        A verdade é que eu não sinto orgulho de como lidei com os acontecimentos passados. Debruço-me sobre o parapeito da memória e, genuinamente, sinto nojo. Nojo da minha criança medrosa e insegura e prefiro cair no abismo infinito sem memórias acessíveis do que reviver tais momentos, tais vergonhas e tais escolhas. Quero esquecer quem eu era e quero sentir-me bem por ter vencido as adversidades da mudança e brindar pelos feitos que alcancei brilhantemente.

        Desculpem-me avós por ter me afastado, perdão amigos por não regar as flores das nossas amizades mesmo à distância. E por último, perdão desconhecidos por não vos ter encontrado e feito um impacto positivo em vossas vidas, dado que este é o meu único desejo. A memória consome-me e faz-me crescer. Preciso dessa ambiguidade para continuar a ser quem sou.

        Vou tentar debruçar-me sobre o parapeito da memória e não me arrepender. Aceitar a minha criança e quem eu fui e desculpar-me pelos erros que cometi, libertando, por fim, das minhas costas o peso dos pecados que eu carrego. 

Obrigado, memórias, até a próxima!