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O blogue da Biblioteca António Nobre, Biblioteca Escolar da Escola Secundária da Boa Nova – Leça da Palmeira, é um instrumento de atuação que deseja responder às necessidades de uma sociedade cada vez mais digital como aquela em que hoje vivemos e, simultaneamente, ajudar a minorar os constrangimentos provocados pela impossibilidade de se prestar um serviço presencial permanente.

19 março 2026

Poesia pela Paz!

13:18 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Poesia pela Paz!




 Como os tempos que correm parecem ter esquecido a sua importância …


ODE À PAZ


Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança,

Pela limpeza do vento, pelos atos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,

pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,

Pela exatidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,

                        deixa passar a Vida!


Natália Correia, in Drujba - Amizade, revista da Associação Portugal-Bulgária, Julho/Setembro de 1989 


Dia Mundial da Poesia

13:08 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Dia Mundial da Poesia

21 de março


        O Dia Mundial da Poesia celebra-se, todos os anos, a 21 de março desde 1999, ano em que esta celebração foi criada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) na sua 30.ª Conferência Geral, tendo como objetivo promover a leitura e a escrita e, claro, divulgar a poesia até porque esta é um fator fundamental para a divulgação de valores essenciais para a nossa humanidade.

        E como não há poesia sem poetas, fica aqui a informação: o Dia do Poeta celebra-se a 20 de outubro.



Primavera é sinónimo de recomeçar...

11:57 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Primavera é sinónimo de recomeçar...




        A Primavera em 2026 no hemisfério norte, o hemisfério em que Portugal se encontra, inicia-se oficialmente no dia 20 de março às 14h45 (hora de Lisboa). 

           E Primavera é sinónimo de recomeçar…

           Temos mais sol, dias maiores, a natureza que se renova com flores a desabrochar, o chilrear dos pássaros e a esperança que renasce…

            E se temos dias maiores, também temos mais tempo para ler...

            Então, aqui ficam uns belos poemas que evocam a PRIMAVERA até porque o Dia Mundial da Poesia se aproxima!



"Abre-te, Primavera!

Tenho um poema à espera

Do teu sorriso.

Um poema indeciso

Entre a coragem e a covardia.

Um poema de lírica alegria

Refreada,

A temer ser tardia

E ser antecipada.

Dantes, nascias

Quando eu te anunciava.

Cantava,

E no meu canto acontecias

Como o tempo depois te confirmava.

Cada verso era a flor que prometias

No futuro sonhado…

Agora, a lei é outra: principias,

E só então eu canto confiado."

Miguel Torga


É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...

Florbela Espanca


18 março 2026

SEMANA DA LEITURA 2026

13:04 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 SEMANA DA LEITURA 2026



        O desenvolvimento/domínio das competências de leitura e de escrita continua a ser uma das prioridades da Biblioteca António Nobre como deve ser o de qualquer biblioteca.

        O estímulo à leitura é um desafio permanente e ao qual a BE tenta responder com práticas consistentes que passam pela implementação de atividades diversas e apelativas, mas também pelo trabalho colaborativo com os professores da ESBN, tendo sempre em consideração o perfil dos diferentes alunos da comunidade educativa.

        Visite a Biblioteca António Nobre!

        Esteja atento às atividades que serão desenvolvidas!

        Teremos leitura e música na BE!

A inspiração continua...

10:57 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 A inspiração continua...



A inspiração continua e os textos surgem...


Um banco num parque junto da igreja.

Vazio. Frígida noite a que se aproxima.

Não há uma única nuvem que seja,

Não há também quem olhe para cima.

A noite anterior foi como esta

E a seguinte será também assim.

Os cabos meandram pela relva que resta,

A que não queimou neste jardim.

A brisa lê de uma bíblia em aberto,

Que a lua ilumina em seu esplendor

Sussurra a missa ao cemitério coberto

Pelas pétalas do marcador.

Ululam gaivotas que caíram dos céus

Por voarem tão alto como bombas.

Ululam aqueles que perderam os seus

E viveram para ver as sombras.

Idosos sem voz respiram amianto

Do qual foi feito o seu velho teto,

Órfãos choram o mesmo pranto

Que Pais sem filho e avós sem neto.

O sol nascerá e trará mais saudade,

O sol pôr-se-á e criará um suicida.

Não existe bem, não existe igualdade,

Somos vis, seres maus à partida,

Somos fracos em individualidade,

borboletas no furacão da vida.


Diogo Alves

09 março 2026

Eles partem, mas há sempre algo que perdura...

15:02 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 Eles partem, mas há sempre algo que perdura...


        Eles partem, mas há sempre algo que perdura e a ligação entre professores e alunos é um bom exemplo disso. Por isso, o Diogo Alves, agora aluno na FEUP, continua a enviar textos de sua autoria à professora Maria José Costa, textos que a Biblioteca António Nobre publica no seu blogue com imenso prazer, acompanhando o voo da escrita deste jovem.

        O poema que hoje partilhamos foi inspirado pela guerra no Golfo.

        Obrigada, Diogo, pela partilha!


Não vês a sombra da chuva,

É rara a gota que a tem.

Parece temer quem a louva

E cai onde a nota ninguém.

Prefere os rios sem foz

Que se entrelaçam como lhes convém 

Entretanto, seca-se a voz

Das terras moribundas d'além.

Não vês a sombra da lágrima

Que já não pertence a um só:

Nos cantos da boca se firma

E caindo é parte do pó.

Foi um filho para a guerra

Com os olhos a lacrimejar,

Para uma longínqua terra

Onde fará mais mães chorar.

A sombra da água que se agrega

Chegará em ondulações barulhentas,

Em camadas geladas de vingança cega,

Num turbilhão de ações violentas.

Doces são os rios que roubas e o sangue que espalhas.

Salgados são os mares que destróis e altas as tuas muralhas.

Verdes são as florestas que matas e o dinheiro que ganhas

Por nos extorquir, violar, escravizar, viciar nas tuas manhas.

Da nossa água bebes, a nossa sombra ignoras,

Ao mundo passas a tua febre e pela cura nos cobras.

Não importa se pedes perdão, não somos Deus para to dar,

É tarde, a água subiu-te ao pescoço... Vamos-te afogar.


Diogo Alves






05 março 2026

António Lobo Antunes

13:30 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 António Lobo Antunes

(1942 - 2026)




        António Lobo Antunes, nome grande do panorama literário português, morreu hoje, aos 83 anos.

        Com uma obra incontornável e traduzida em diversas línguas, este escritor deixa uma marca na nova literatura portuguesa.

        Aqui fica um poema que apresenta uma vertente menos conhecida deste grande escritor.



Pachos na testa, terço na mão,

Uma botija, chá de limão,

Zaragatoas, vinho com mel,

Três aspirinas, creme na pele

Grito de medo, chamo a mulher.

Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,

Cala os miúdos, fecha a janela,

Não quero canja, nem a salada,

Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,

Já vejo a morte nunca te minto,

Já vejo o inferno, chamas, diabos,

Anjos estranhos, cornos e rabos,

Vejo demónios nas suas danças

Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo

Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é o pingo de uma torneira,

Põe-me a Santinha à cabeceira,

Compõe-me a colcha,

Fala ao prior,

Pousa o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, passa a chamada,

Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,

Não te levantes que fico só,

Aqui sozinho a apodrecer,

Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer


António Lobo Antunes - Sátira aos HOMENS quando estão com gripe

in Letrinhas de Cantigas (canções) 2002