Que a veia poética continue...
Dancem os ventos sobre as nossas campas!
Icem-se as árvores sobre edifícios!
Cantem os pássaros em seus comícios,
Logo na primeira luz das manhãs!
Mal seja a severidade da fome
Bastante para soldar os gatilhos
À terra esventrada por seus filhos,
Será tarde para que se retorne.
Relinchem, cavalos livres de estábulo!
Nós não gritamos o suficiente
Contra o nosso próprio Estado,
Que foi cárcere quase condizente...
E fomos levados a tantos vícios,
Desde a bebida até aos telemóveis,
Que nos formamos passivos, imóveis,
Sempre em busca de fáceis alívios.
O ensino desprioritizado
Levou ao ignorante passivismo!
Grito e gritaria mais vezes isto:
Pacifismo não é estar parado!
Vai haver verdadeiramente paz
Se o valor imoral do capital
For retirado do seu pedestal
Assim como todo o mal que ele traz.
Só haverá verdadeira igualdade
Sem nepotismo, sem oligarquias,
Com incentivo ao pensamento e criticas,
Amando o próximo mesmo sem vontade.
Tenho um sonho sonhado antes de mim,
Chamem-me iludido, jovem, extremista:
O sonho está a bombordo, à vista,
A estibordo está a extinção, o fim.









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