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05 março 2026

António Lobo Antunes

13:30 // by Biblioteca Escolar António Nobre // No comments

 António Lobo Antunes

(1942 - 2026)




        António Lobo Antunes, nome grande do panorama literário português, morreu hoje, aos 83 anos.

        Com uma obra incontornável e traduzida em diversas línguas, este escritor deixa uma marca na nova literatura portuguesa.

        Aqui fica um poema que apresenta uma vertente menos conhecida deste grande escritor.



Pachos na testa, terço na mão,

Uma botija, chá de limão,

Zaragatoas, vinho com mel,

Três aspirinas, creme na pele

Grito de medo, chamo a mulher.

Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,

Cala os miúdos, fecha a janela,

Não quero canja, nem a salada,

Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,

Já vejo a morte nunca te minto,

Já vejo o inferno, chamas, diabos,

Anjos estranhos, cornos e rabos,

Vejo demónios nas suas danças

Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo

Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é o pingo de uma torneira,

Põe-me a Santinha à cabeceira,

Compõe-me a colcha,

Fala ao prior,

Pousa o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, passa a chamada,

Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,

Não te levantes que fico só,

Aqui sozinho a apodrecer,

Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer


António Lobo Antunes - Sátira aos HOMENS quando estão com gripe

in Letrinhas de Cantigas (canções) 2002






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