A inspiração continua...
A inspiração continua e os textos surgem...
Um banco num parque junto da igreja.
Vazio. Frígida noite a que se aproxima.
Não há uma única nuvem que seja,
Não há também quem olhe para cima.
A noite anterior foi como esta
E a seguinte será também assim.
Os cabos meandram pela relva que resta,
A que não queimou neste jardim.
A brisa lê de uma bíblia em aberto,
Que a lua ilumina em seu esplendor
Sussurra a missa ao cemitério coberto
Pelas pétalas do marcador.
Ululam gaivotas que caíram dos céus
Por voarem tão alto como bombas.
Ululam aqueles que perderam os seus
E viveram para ver as sombras.
Idosos sem voz respiram amianto
Do qual foi feito o seu velho teto,
Órfãos choram o mesmo pranto
Que Pais sem filho e avós sem neto.
O sol nascerá e trará mais saudade,
O sol pôr-se-á e criará um suicida.
Não existe bem, não existe igualdade,
Somos vis, seres maus à partida,
Somos fracos em individualidade,
borboletas no furacão da vida.
Diogo Alves









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