Porque escrever é importante, a voz aos artistas...
Ainda a propósito do espetáculo "A Visita do Sr. Engenheiro", uma apreciação crítica escrita por um aluno.
A visita do Sr. Engenheiro
Muitos serão aqueles que já ouviram falar ou leram textos de Álvaro de Campos, uns dos heterónimos mais complexos de Fernando Pessoa e autor de um vasto reportório, no qual se incluem poemas como a “Ode Triunfal”. Mas poucos saberão que este personagem único encontrou a sua ressurreição na atualidade através de António Domingos e da sua peça de teatro itinerante “A visita do Sr. Engenheiro”.
Esta peça consiste na declamação de sete poemas icónicos da fase intimista de Álvaro de Campos, entre os quais estão "Tabacaria”, “Aniversário”, “Poema em Linha Reta”, entre outros. Porém, o ator não se limita somente a recitar estes poemas de cor, embora só esse ato já seja um feito assombroso de memória. Ele também interpela e interage com o público, ao mesmo tempo que o guia com uma subtileza e uma coesão quase perfeitas por entre os textos, de tal forma que quase não dá para entender quando é que acaba um e começa o outro. Ao todo, este processo demora pouco mais de 50 minutos, já contando com a parte final das perguntas ao artista.
No entanto, o passar do tempo mal se nota, de tanta que é a paixão e energia da atuação, mesmo nos momentos mais depressivos. E é também essa atuação tão carregada de emoção que leva o público a crer que está perante não um ator que nem sequer tem formação nesse ofício, mas sim o próprio heterónimo, que escapou das páginas para o mundo real. E, nesta fuga, ele partilha as suas aflições e reflexões acerca da sua vida, de si mesmo, da sociedade e do mundo em geral, o que leva a uma certa reflexão por parte do espectador e também a uma certa empatia para com esta personagem tão atormentada.
Portanto e em suma, “A visita do Sr. Engenheiro”, devido à sua expressividade, qualidade e emotividade, é uma experiência obrigatória para qualquer um que goste de Álvaro de Campos, para qualquer um que não o conheça e para qualquer um que não o aprecie, pois talvez passe a fazê-lo...
Gabriel Varela, 12.º C









0 comentários:
Enviar um comentário